quarta-feira, 16 de março de 2011

Olhem para cima!


Querem soluções? Atentem na Islândia e rapidamente encontrarão duas aplicáveis ao nosso país:

1) Cessação do pagamento da dívida externa;


2) Nacionalização da banca.


Pois claro!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Lição de História



"É altura dos portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo do futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de vida dos países mais avançados da união europeia.
Esta é uma tarefa de todos. Cada um tem que assumir as suas próprias responsabilidades. É essencial que exista uma união de esforços, em que cada português se sinta parte de um todo mais vasto e realize o quinhão que lhe cabe."



E eu é que não encontro vídeos das cargas policiais aos estudantes...

PS




domingo, 13 de março de 2011

Eu vi este Porto a lutar

Desci ao Porto num comboio apinhado. Malta nova, malta mais velha, ensalsichados num suburbano abafado e fixos no ecran, de estação em estação (quem conhece o percurso Porto-Braga conhece o cenário).

À saída de S. Bento fotografei-nos. Éramos bastantes. Na Batalha ainda éramos mais - nunca vi o Porto tão cheio, enquanto descíamos a rua de Sta Catarina em bloco, apertados, a cantar. Não vi bandeiras (uma da Líbia e um par de bandeiras negras), vi boa disposição e vi protesto genuíno. Protesto de pessoas que sentiram na pele a desgraça do sistema em que vivemos e que sentem a necessidade de mudança, pela união.

"O Povo Unido Jamais Será Vencido". Ressoava. Por todo o lado. Gritámos ao Banco de Portugal: nós não queremos isto! Cantamos: Zé Mário, Zeca... bombos e caixas e saltos e alegria.

Não sei se vai dar em alguma coisa. Foi lindo mas reservo o meu cepticismo confortável. Uma coisa é certa: a gente está aí para as curvas.

E toma lá, Lisboa, que isto no norte é que é.

12 de Março: gerações enrascadas exigem um futuro digno!



As expectativas não foram frustradas. No passado sábado, dia 12 de Março de 2011, iniciou-se um movimento reivindicativo de novo tipo. A Geração à Rasca apenas se espreguiçou, mas abalou este país. Só em Lisboa, mais de 200.000 reuniram-se em protesto contra uma situação insustentável. No Porto, estiveram cerca de 80.000. No resto do país, houve protestos em Braga, Leiria, Coimbra, Funchal, Ponta Delgada, Faro, Viseu, Castelo Branco e Elvas. No total, mobilizaram-se cerca de 300.000 pessoas em todo o país. Uma vitória retumbante!


Agora, saídos dos ecrãs dos computadores, quem é esta Geração à Rasca? Primeiro que tudo, não é uma “geração”, no sentido estrito da palavra. Eles são jovens, outros mais velhos e até idosos. São trabalhadores precários, bolseiros de investigação, estudantes, operários, professores, funcionários públicos, pequenos empresários, desempregados, reformados e um longo etc. São uma fatia significativa da população que está farta da sua situação, mas que até agora não tinha encontrado uma forma de contestar. A retórica mobilizadora estava mais direccionada para os jovens “à rasca”, isto é, a juventude precária, estudante, desempregada e sem perspectivas de futuro digno. No entanto, eles conseguiram arrastar consigo outros sectores da sociedade e isso tem de ser relevado como um factor muito positivo.


Este protesto reuniu um sector da classe trabalhadora que nunca foi enquadrado no movimento sindical tradicional. Já num texto anterior, aqui publicado, referimos essa particularidade. A situação miserável deste sector obrigou-o a encontrar formas de organização e mobilização alternativas, que lhes permitisse lutar e alertar a sociedade para a sua condição. Escolheram o método adequado, o da luta nas ruas, conseguindo chamar sob a sua direcção, debaixo das suas bandeiras, outros sectores da classe laboral e inclusive da pequena burguesia, cuja radicalização se revela inquestionavelmente necessária para o derrube de um capitalismo financeiro monopolista cada vez mais destruidor.


Não obstante a confusão ideológica reinante e as tentativas (falhadas) de instrumentalização do protesto por parte de certos grupúsculos de gorilas acéfalos da extrema-direita nacionalista (cerca de 20 fascistas em 300.000 pessoas, números que demonstram bem a sua implantação real), o protesto foi um sucesso. Verificou-se, é certo, um claro preconceito anti-partidário, factor que também já foi enunciado num texto por mim publicado, fenómeno que é perfeitamente compreensível, face à falta de uma alternativa partidária, num regime cada vez mais decrépito. Segundo esta lógica, todos os partidos existentes acabam por ser conotados com a situação política actual, i.e., a decadência do regime nascido do golpe de 25 de Novembro de 1975. Mesmo aquelas organizações partidárias que pautam a sua intervenção parlamentar por uma denúncia dos fenómenos da precariedade, do desemprego e todos os problemas específicos de uma juventude sem perspectivas de futuro. No entanto, as confusões e contradições ideológicas resolvem-se e clarificam-se no “lume da contenda”, quando a correlação de forças for outra e quando o movimento se aperceber que só com a construção de alternativas políticas extra-sistémicas é que alcançamos a transformação profunda de uma economia decadente, que nos sufoca todos os dias, e de um regime político cada vez menos democrático, que se constitui como um autêntico feudo dos partidos do centrão e seus boys. Essas alternativas partidárias, revolucionárias e extra-sistémicas, ainda não existem, é verdade. Esperemos que se construam e que ganhem o apoio da geração enrascada.


No entanto, como já dissemos, clarificações ideológicas virão a seu tempo. Por ora, o central é garantir a continuidade deste movimento espontâneo, de forma a prosseguir a mobilização reivindicativa e alcançar os direitos dos quais nos declaramos merecedores. O 12 de Março não é o culminar de uma acção de protesto isolada e finita. Deve-se prosseguir o combate, reunir os núcleos de pessoas que organizaram os protestos em cada cidade, mantê-los em contacto, organizar plenários abertos a toda a gente, de forma a partilhar experiências, ideias e, acima de tudo, propor novas formas de acções reivindicativas. Impulsionar um crescimento do movimento, ao nível quantitativo, além de enquadrá-lo organizativamente, de forma informal, democrática e espontânea. Só assim conseguiremos assustar aqueles que nos sufocam e aqueloutros que nos governam. Só assim conquistaremos os direitos que as gerações que nos precederam arrancaram a ferros ao regime salazarista, em 1974, com muito sangue, suor e lágrimas. Porque somos muitos, muitos mil, a lutar por outro Abril!



P.S: Conquanto exista desconfiança por parte de muitos jovens “à rasca” relativamente às organizações sindicais tradicionais, é importante realçar que o nosso inimigo é o mesmo. O governo que fecha os olhos ao flagelo dos recibos verdes é o mesmo que ataca sistematicamente os direitos garantidos pela contratação colectiva. Bem sei que o movimento sindical tem sérios problemas de falta de democracia e direcções burocráticas que se perpetuam nos órgãos directivos há décadas. Vamos, no entanto, tentar unificar as lutas. Vamos dar uma oportunidade aos sindicalistas combativos que tentam transformar os sindicatos por dentro, organizativa e politicamente, em algo novo, num verdadeiro sindicalismo irreverente e de combate. Apoiando estes sectores, talvez o movimento sindical ganhe outros contornos, mais democráticos e adaptados ao contexto actual, englobando, desta forma, os precários, bolseiros e estagiários não só no discurso oficial, mas na organização e nas lutas. Por isso, TODOS OS ENRASCADOS À MANIFESTAÇÃO NACIONAL DA CGTP, DIA 19 DE MARÇO!


sexta-feira, 11 de março de 2011

Todos à rua


Meus amigos, o protesto descentralizou-se. Essa dimensão, parece-me, é estrondosamente importante, numa altura em que Lisboa aglomera o grande bolo da luta política e da expressão cultural.

Está nas nossas mãos provar que há massa crítica fora do centro. Que no norte, no sul e nas ilhas há gente tão consciente e atenta como em Lisboa.

Razões para sair à rua há para dar e vender. Tragamos movimento à nossa rua. Juntem a malta - se não conseguem sair, juntem-se na vossa terra. Dez pessoas, cinco, três à frente da câmara? Porque não!

Aglomerem para o protesto mais próximo. Engrossemos as fileiras. No Porto, em Viseu, em Braga, em Guimarães, na Terceira, em S. Miguel. Peguem em câmaras e filmem, tirem fotografias, registem; não esperem pela mediatização - criem-na! Façamos nós a nossa história.

Por todas as frentes! Que, se temos voz, é nestas alturas que a fazemos ouvir.

Até amanhã!

PS

Não há desculpa!

Eu verei este povo a lutar


Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Sobre as águas calmas
Um vulcão de fogo
Toda a terra treme
Nas vozes deste povo

Mesmo no silêncio
Sabemos cantar
Povo por extenso
É unidade popular

Somos sete rios
Rios de certeza
Vamos lá cantando
No fragor da correnteza

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

A fruta está podre
Já não se remenda
Só bem cozidinha
No lume da contenda

Nós queremos trabalho
E casa decente
A carne do talho
E pão para toda a gente

Ai, meus ricos filhos
Tantos nove meses
Saem do meu ventre
Para a pança dos burgueses

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Alça meu menino
Vê se te arrebitas
Que este peixe podre
Só é bom para os parasitas

Só a nosso mando
É que há liberdade
Vamos lá lutando
P’ra mudar a sociedade

Bandeira vermelha
Bem alevantada
Ai minha senhora
Que linda desfilada

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão


"Eu vi este povo a lutar", de José Mário branco

quinta-feira, 10 de março de 2011

Última chamada



- Porque não damos carta verde aos recibos verdes

- Porque “estágios não remunerados” são um eufemismo para escravatura

- Porque estamos fartos de empresas de trabalho temporário a aproveitarem-se da nossa miséria e açambarcarem os frutos do nosso trabalho

- Porque os bolseiros de investigação também são trabalhadores

- Porque precisamos de mais bolsas, queremos estudar e queremos um ensino para todos

- Porque quem estuda não devia ser obrigado a trabalhar e, caso o faça, devem ser-lhe dadas condições para o fazer

-Porque queremos aplicar os conhecimentos adquiridos, não desperdiçando anos de estudo e investigação

- Porque estamos fartos de salários de fome

-Porque queremos trabalho com direitos para todos

- Porque queremos estabilidade, não “intermitência” e um futuro a prazo

- Porque exigimos contratos permanentes para postos de trabalho permanentes

-Porque queremos direito a férias, um horário fixo, uma reforma digna, 13º mês, a liberdade de ficar doente e de ter filhos

- Porque queremos que sejam os patrões a pagar para o fisco e não quem nada tem

- Porque não é nossa culpa estarmos desempregados, logo, não devemos ser penalizados por isso

- Porque não somos “prestadores de serviços”, mas sim TRABALHADORES!

Comecemos a construir Abril já dia 12 de Março! Por direitos para todos, num estado verdadeiramente democrático, fundado numa economia verdadeiramente social! Não faltes!