...ou de quanto tempo mais precisaremos para perceber que varrer a poeira para debaixo do tapete só acumula a porcaria? Os EUA já começam a ter problemas. Aqui a coisa também não vai boa.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Arrebenta a bolha
...ou de quanto tempo mais precisaremos para perceber que varrer a poeira para debaixo do tapete só acumula a porcaria? Os EUA já começam a ter problemas. Aqui a coisa também não vai boa.
Vigília de Solidariedade para com o povo Egípcio
http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=185037951519230
"O objectivo é recolher assinaturas para posteriormente entregar na Embaixada do Egipto em Portugal pedindo o fim da violência para com os manifestantes."
Acho que faria mais sentido recolher assinaturas a exigir a demissão de Mubarak, e demonstrar apoio ao aprofundamento da revolução, do que apelar ao "humanismo" dos repressores. Mas enfim, pacifismos bem pensantes à parte, a solidariedade com a revolução é o mais importante, pelo que lá estaremos.
Respiganço
Antes o fim que nos coube Se é que fim pode chamar-se
domingo, 30 de janeiro de 2011
A revolução egípcia e o património arqueológico
Danos no património arqueológico do Museu do Cairo.
Qualquer revolução assume contornos imprevisíveis, violentos e incalculáveis, especialmente aquelas que põem fim a décadas de frustração dos anseios democráticos das massas. Assim, muitas vezes os seus "efeitos colaterais", fruto da acção de indíviduos menos conscientes, podem ser danosos para o património arqueológico e histórico dos países onde elas acontecem, e os danos revelam-se particularmente gravosos num país como o Egipto, portador de um espólio arqueológico cuja importância me abstenho de realçar. Duas notas impõem-se, no entanto:
1) A falta que faz uma direcção revolucionária esclarecida e consciente que canalize a violência para os locais onde ela deve ser aplicada;
2) A própria localização do Museu do Cairo, adjacente à sede do partido de Moubarak, logo, tornando-se um alvo fácil para a violência dos tais individuos menos esclarecidos acerca do carácter que deve ter a revolução, que deve ser uma revolução de cultura e de progresso. Porque de obscurantismo e ignorância, já nos chega regimes como o de Moubarak.
Assim, e apesar da destruição de património, de alguma forma uma característica própria (ainda que não inevitável) da transformação revolucionária das sociedades, esperemos apenas que a revolução atinja os seus fins. No entanto, quem quer fazer História, não deve desprezá-la...
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Tomem lá o que eu penso
Tal como acontece com as crianças que comem muitos doces, também os dentes das orcas sofrem estragos quando estas mastigam determinado tipo de comida, como carne de tubarão. Segundo o Discovery News, as orcas (Orcinus orca), ou baleias assassinas, que nadam nas profundas águas do nordeste do Pacífico, alimentam-se sobretudo do tubarão-dorminhoco (Cephaloscyllium ventriosum). Mas comer tubarão tem um preço alto.
Os dentículos dérmicos (pequenos dentes que existem na pele dos tubarões, como se fossem escamas) provocam estragos nos dentes das orcas. “Encontrámos algumas baleias-assassinas mais velhas com os dentes gastos até à gengive”, diz John Ford, da Estação Biológica do Pacífico, em Nanaim, British Colombia, Canadá. O estudo que desenvolveu com a sua equipa foi publicado no jornal Aquatic Biology.
Há vida para além das eleições?

De facto, a esquerda-de-todas-as-cores-e-às-bolinhas-amarelas já teve melhores dias. Perdeu as estribeiras durante a campanha, quando acusou todos os que não vislumbravam alternativas credíveis de serem imundos cavaquistas, e parece que ainda não as recuperou. Este texto do Daniel Oliveira reflecte bem isso. O caríssimo Daniel basicamente propõe que a reflexão que devemos fazer face à abstenção é ignorá-la. Exactamente, devemos fazer ouvidos moucos a quem não acredita na democracia e nos seus candidatos. Sim, porque aos olhos do Daniel o descrédito da democracia deve-se à burrice ou estupidez dos eleitorado, e de forma alguma reflecte o estado miserável que ela apresenta. As pessoas que não votam, muitas delas porque não acreditam sinceramente no futuro deste regime, não pensam, não se importam, ou são uns párias.
Então, e resumindo, o nosso Daniel apresenta uma resposta inaudita para combater o descrédito da política: aprofundar o divórcio entre esta e mais de metade do país. A metade que vota na mudança sazonal das moscas é que interessa, o resto é um bando de incompetentes que não merece o estatuto de cidadão. Quem sabe, daqui a uns tempos, o Daniel Oliveira venha a pedir a suspensão da cidadania durante seis meses.
Do nosso lado, nunca chegaremos a tal pessimismo. Muitas vezes, o divórcio entre os povos e os regimes que os governam são saudáveis. Se o regime é uma encenação, as pessoas desiludem-se da farsa, afastam-se, e novos regimes nascem. Longe de mim afirmar que a abstenção é um sinal de que isso vá acontecer num futuro próximo, simplesmente não penso que seja um sinal deveras preocupante no contexto das eleições presidenciais, pelo contrário, até pode ser positivo, como já expliquei antes. Há vida além do parlamentarismo burguês e há política além de Cavaco ou Alegre. Assim, esperemos que à medida que o regime se afunda, que surjam alternativas, fora de eleições, candidatos de ocasião e encenações eleitorais. Claro que isso é motivo de preocupação para “opinadores" (a auto-proclamação é do próprio) como o Daniel, que não avistam um horizonte político além das discussões quinzenais do parlamento, e concebem a democracia parlamentar e o capitalismo “soft” como o fim da história. Entretanto, voltemos para o Maghreb…